chego com o vento
da madrugada
e deixo um beijo
nos teus lábios entreabertos…
desenho o teu rosto
no silêncio da planície
e bebo o teu olhar
na esquina do meu poema
o vento hoje não se cala
as árvores desdobram-se em movimentos bruscos.
acolho as palavras que debruaste a sorrisos e lanço-as sobre a tua pele…
queria olhar-te por dentro e beber todo o teu sentir…
estou a pensar escrever-te uma carta, eu sei que é algo que caiu em desuso, mas
mesmo assim vou escrever-te uma carta longa, assim poderíamos recordar dias,
horas, minutos, segundos até (sempre poucos para aquilo que desejamos eu sei), que
deixaram sempre beijos em falta pendurados nos lábios.
regresso à janela.
o vento continua ondulante.
o olhar caminha lentamente em direção ao horizonte e este mostra-nos as suas
transparências.
vou deitar-me… quero sonhar com arroz de míscaros...
até amanhã.
hoje
hoje foi tempo do fugir da chuva, do vento…
hoje foi tempo de aconchego do sofá, de olhar pela vidraça, de uma conversa de
horas a fio se houver companhia
hoje foi tempo para escrever palavras,
algumas bonitas, outras carregadas de raiva
agora é noite e tudo passou…
da chuva ao vento até a uns raios de sol
aproxima-se o horário de inverno, mas não é inverno,
mas há um frio que vai gelando o mundo dia após dia…