tenho tanto por dizer sobre as cores, sobre as palavras que grito sem eco, sobre os sonhos que anoitecem na ausência, sobre… gosto quando a noite amanhece na nossa nudez…
sentado nos dias desfilo versos na geometria dos momentos e guardo o aroma das palavras no florir das manhãs… sinto as horas, vejo os sonhos, bebo beijos, calo o silêncio e nesta certeza quase incerta crescem murmúrios na madrugada...
os meus sonhos vagueiam pela cidade enquanto a tua boca desce pelo meu corpo
olho a lua enquanto penso os desejos e os risos que passam ao meu lado de que servem as palavras e as lágrimas nos olhos nublados de tantos amanhãs…
ergo o corpo. o quarto cheira a terra molhada…
o olhar ainda arregalado fala de tantos sonhos
ou tão poucos…
preciso regressar aos teus braços, abraços e dizer-te baixinho que te escrevi um poema numa gota de chuva da noite passada.
depois… depois galgo a janela e voo com o Sol.
lá fora sopra a voz do vento… as folhas dançam um bailado de cores acastanhadas. vai longo o outono…
aproveito as memórias
quedo-me no silêncio. respiro.
há sonhos a desaparecerem-me dos dias.
caminho pelas ruas desertas.
talvez amanhã possa habitar-te…