abraço o teu olhar, escuto os teus gestos e perco-me no teu rosto cálido sufragado de brisas primaveris.
bebo o silêncio das manhãs tingidas de orvalho…
perdi-me!
tenho palavras escondidas nos escombros dos meus dias.
há um orvalho que nasce a cada madrugada e um silêncio que se espalha na noite alheio ao rumor do vento… e eu escrevo o poema com nudez nas palavras
é noite e o silêncio está demasiado cheio… os lençóis cobrem olhos, pele, pelos , mas também desejo e vontade… no relento, depois de nos amarmos, bebo o orvalho das tuas mãos e adormeço no teu colo pela madrugada
um dia, um sorriso e sou eu. olho-me. recebo o orvalho nascido na madrugada. sento-me na soleira e espero o poema feito de versos brancos onde chamo por ti. com saudade presa na memória.
sentado na soleira bebo o aroma da terra molhada pelo orvalho de tantas madrugadas… estou cansado. penso no tanto, no tão pouco, no ruído no silêncio e na nudez da esperança que faz nascer o poema.
na hora imprecisa escutam-se silêncios da vida erótica da cidade e há sorrisos dos deuses perdidos em cada rua…
pedem-me um poema e eu escrevo-o no orvalho que cobre a manhã