talvez amanhã o teu rosto
se esconda no meu.
hoje é somente a nudez da despedida
e eu ignoro o dia.
mas o corpo
espera que anoiteça.
deixa ficar comigo a madrugada…
sento-me à beira do nada
e de poema nos lábios
rasgo a carne
na noite escancarada no horizonte
e no silêncio sem nome…
se eu pudesse tocar-te
mostrava-te a infância escondida
e entoaria cânticos de desejo
abafados desde sempre na garganta…
rasgo desfiladeiros
nas arribas dos nossos corpos
mas o meu olhar diz
que a minha partida não será anunciada.