sexta-feira, 6 de novembro de 2026

 

o quarto não dorme esta noite.
a cama está feita de dias já passados
e há sombras de corpos
embrulhados no silêncio áspero dos dias…

amanhã, enquanto a insónia vibra
talvez venhas com os teus lábios de noite
dizer poemas de amor.




quinta-feira, 5 de novembro de 2026



a aurora resplandecia.

os tons alaranjados de um sol com vontade de nascer
pintavam o horizonte.

tenho a noite ainda está espalhada na pele.

sentado na soleira
penso em ausência.
que tempo é este que nos separa? 

dentro da casa há fugas ao silêncio.

tenho medo de envelhecer no interior dos dias…



sexta-feira, 30 de outubro de 2026

 

chegaste!

trouxeste o refúgio para encher os vazios
e o silêncio recomposto da infância…

talvez amanhã apareçam palavras novas
escritas na sombra das árvores
onde desfolhámos memórias.

lá fora o tempo são somente gestos

toca-me.

quero encontrar-te no ruído da manhã
e atravessar a cidade de cabelos esvoaçantes,
faminto de um amor satisfeito.







terça-feira, 20 de outubro de 2026

 

esta manhã acordei mais cedo,
guardei as ilusões nos bolsos
e caminhei próximo do amanhecer

escutei os silêncios a espalhar vozes…

apaguei o tempo.

a cidade inteira ainda respira e circula.




sexta-feira, 9 de outubro de 2026



espreito a memória no fundo do olhar.
há jogos inventados nos campos de papoilas rubras
e malmequeres alvos…

hoje é tudo tão pouco.
o tempo é somente um dia…

mas antes que o amanhã comece
há fragmentos de luz que matam a noite.






quinta-feira, 8 de outubro de 2026

muito feliz pelo Nobel da Literatura 2026
claro está que se fosse Lídia Jorge teria ficado muito mais feliz, mas como foi uma da minha lista (Lídia Jorge, Margaret Atwood, Anne Carson, Enrique Vila-Matas e Michel Houellebecq), dos vários nomes apresentados pela ladbrokes.com
venceu Carson, parabéns.
fascinou-me o seu livro Agualisa.
gosto das metáforas na poesia...



domingo, 4 de outubro de 2026



caminho bêbado de sombras.
o gesto absorve o silêncio
e o vazio dos abraços.

quantas primaveras fugiram
quando a noite se embaciava?

fechamos o olhar
e colas o teu rosto
à inquietude do meu peito…

permaneço nas memórias
que se desenham nos cheiros,
na pele
e no sorriso com que me dizes bom dia
na primeira cor depois da noite.