quando quem te ofereceu ao mundo, deixa de te reconhecer tudo se desmorona
acordo dentro da saudade
e percorro o silêncio que me ofereces
o teu olhar
é o do tempo que parou
e de nada mais...
sento-me à beira do nada
e de poema nos lábios
rasgo a carne
na noite escancarada no horizonte
e no silêncio sem nome…
se eu pudesse tocar-te
mostrava-te a infância escondida
e entoaria cânticos de desejo
abafados desde sempre na garganta…
rasgo desfiladeiros
nas arribas dos nossos corpos
mas o meu olhar diz
que a minha partida não será anunciada.
escrevo recados breves
que penduro nos dias
frágeis,
enquanto viajo
por caminhos amarrotados
pelo tempo.
espero sempre
a noite,
a pele,
as estrelas
que olho da janela
onde me debruço a perceber o mundo.
amanhã talvez receba,
da tua boca,
a inocência num beijo cálido
que me diz que o vento
também sopra entre as dunas.