terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

desce o crepúsculo em silêncio,
hora de ponta
na língua dos poetas…

há pedaços de mim
nas palavras com que te povoo
o corpo
e a boca lavrada pela sede
do meu desejo.

ofereço-te o amor
como se fosse a origem da minha sede
e bebo-te a cada madrugada…




sábado, 31 de janeiro de 2026

 

crescem no meu olhar
as palavras que reinvento a cada
madrugada…

em sussurro
tomo a tua pele
e inspiro o teu sabor.
contorno-te o ventre
e perco-me na respiração dos momentos

vivo-te em palavras vivas
mesmo quando os dias são silêncio






quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 

acordo o silêncio
que trago na saudade
e desenho no tempo
a lágrima
que procuro
no sal

hoje estamos sós
e adormecemos no poema.




terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 

levanto-me…
e a cidade branca
tem tempos de angústia
largados no nevoeiro.

assobia o vento
que nos traz a manhã
e há um ar sem céu perdido
na solidão

amanhã escrevo poemas
nas sombras que deixaste
com a tua ausência






quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

 

sopra avesso o vento

rasga a poeira
e espalha o eco dos murmúrios
que gritaste na nossa madrugada.

desenho sombras no luar
e embalo o silêncio
perdido na noite
em que o beijo
tem a minha boca,
o teu rosto
e o meu olhar…






segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

 

sentado na soleira
bebo o aroma
da terra molhada
pelo orvalho de tantas madrugadas…

estou cansado.

penso no tanto,
no tão pouco,
no ruído
no silêncio
e na nudez
da esperança
que faz nascer
o poema.




domingo, 11 de janeiro de 2026

chego com a maresia
e solto palavras
no alpendre da esperança…

fecha-se a noite

lanço olhares
repletos de ausências
sob o céu de carne… 

um dia vou deitar-me
na penumbra de ti
e tocar-te a pedido da tua pele.