sexta-feira, 30 de outubro de 2026

 

chegaste!

trouxeste o refúgio para encher os vazios
e o silêncio recomposto da infância…

talvez amanhã apareçam palavras novas
escritas na sombra das árvores
onde desfolhámos memórias.

lá fora o tempo são somente gestos

toca-me.

quero encontrar-te no ruído da manhã
e atravessar a cidade de cabelos esvoaçantes,
faminto de um amor satisfeito.







terça-feira, 20 de outubro de 2026

 

esta manhã acordei mais cedo,
guardei as ilusões nos bolsos
e caminhei próximo do amanhecer

escutei os silêncios a espalhar vozes…

apaguei o tempo.

a cidade inteira ainda respira e circula.




sexta-feira, 9 de outubro de 2026



espreito a memória no fundo do olhar.
há jogos inventados nos campos de papoilas rubras
e malmequeres alvos…

hoje é tudo tão pouco.
o tempo é somente um dia…

mas antes que o amanhã comece
há fragmentos de luz que matam a noite.






quinta-feira, 8 de outubro de 2026

muito feliz pelo Nobel da Literatura 2026
claro está que se fosse Lídia Jorge teria ficado muito mais feliz, mas como foi uma da minha lista (Lídia Jorge, Margaret Atwood, Anne Carson, Enrique Vila-Matas e Michel Houellebecq), dos vários nomes apresentados pela ladbrokes.com
venceu Carson, parabéns.
fascinou-me o seu livro Agualisa.
gosto das metáforas na poesia...



domingo, 4 de outubro de 2026



caminho bêbado de sombras.
o gesto absorve o silêncio
e o vazio dos abraços.

quantas primaveras fugiram
quando a noite se embaciava?

fechamos o olhar
e colas o teu rosto
à inquietude do meu peito…

permaneço nas memórias
que se desenham nos cheiros,
na pele
e no sorriso com que me dizes bom dia
na primeira cor depois da noite.



quinta-feira, 24 de setembro de 2026

 

o silêncio escondeu-se no meu olhar,
as palavras amontoaram-se no canto dos lábios
e a escuridão tomou conta da saudade.

para trás ficou a palavra escrita
num poema feito corpo.

finjo-te sonho
por entre paredes sem sombras.

mas gosto de sorrir enquanto encostas o teu rosto
à inquietude do meu peito.




sábado, 29 de agosto de 2026


é na noite que escondo as palavras surdas,
que quis gritar nas manhãs e tardes que afundaram o meu dia,
evaporo o olhar
e o silêncio cola-se à pele…

a madrugada está quase ali.

a liberdade não pode ser só memória
Abril continua dentro do peito.