quarta-feira, 22 de julho de 2026

é à noite
que a lua repousa
no ombro melancólico das gentes.

é à noite
que abraço o sonho
e me perco
no silêncio da tua boca
e no desejo dos meus lábios.

é à noite
que bebo o teu cheiro
a pinho silvestre
e te roubo um beijo
da boca
que sabe ao amor que fizemos
no nosso entardecer





sexta-feira, 17 de julho de 2026

 

esperas-me.

toco-te na chegada…

as minhas mãos pousam-te
o olhar quebra o silêncio
e há pureza na nudez.

a noite escreve linhas na
sombra
e é outro dia
ao virar da esquina.

quero-te.




quinta-feira, 16 de julho de 2026

 

aqui
arrefece a esperança
enquanto a espera se estende
tão longe daqui…

há memórias dispersas nas orlas do sono.
fecha-se a penumbra da ausência…

lá fora
ficam as ruas, avenidas, desertos, mares…
cá dentro
é tudo estranhamente na mesma.




segunda-feira, 22 de junho de 2026

 

talvez amanhã o teu rosto
se esconda no meu.
hoje é somente a nudez da despedida
e eu ignoro o dia.

mas o corpo
espera que anoiteça.

deixa ficar comigo a madrugada…




quinta-feira, 18 de junho de 2026

 

arde-me o corpo…

o desalinho da alma
esconde-se no silêncio.

amo-te e não chega

esvoaçam as palavras que larguei no vento da manhã

escrevo-te...




sexta-feira, 12 de junho de 2026

 quando quem te ofereceu ao mundo, deixa de te reconhecer tudo se desmorona


acordo dentro da saudade
e percorro o silêncio que me ofereces

o teu olhar
é o do tempo que parou
e de nada mais...





quarta-feira, 10 de junho de 2026

sento-me à beira do nada
e de poema nos lábios
rasgo a carne
na noite escancarada no horizonte
e no silêncio sem nome…

se eu pudesse tocar-te
mostrava-te a infância escondida
e entoaria cânticos de desejo
abafados desde sempre na garganta…

rasgo desfiladeiros
nas arribas dos nossos corpos
mas o meu olhar diz
que a minha partida não será anunciada.