desce o crepúsculo em silêncio, hora de ponta na língua dos poetas… há pedaços de mim nas palavras com que te povoo o corpo e a boca lavrada pela sede do meu desejo. ofereço-te o amor como se fosse a origem da minha sede e bebo-te a cada madrugada…
crescem no meu olhar as palavras que reinvento a cada madrugada… em sussurro tomo a tua pele e inspiro o teu sabor. contorno-te o ventre e perco-me na respiração dos momentos vivo-te em palavras vivas mesmo quando os dias são silêncio
acordo o silêncio que trago na saudade e desenho no tempo a lágrima que procuro no sal hoje estamos sós e adormecemos no poema.
levanto-me… e a cidade branca tem tempos de angústia largados no nevoeiro. assobia o vento que nos traz a manhã e há um ar sem céu perdido na solidão amanhã escrevo poemas nas sombras que deixaste com a tua ausência
sopra avesso o vento rasga a poeira e espalha o eco dos murmúrios que gritaste na nossa madrugada. desenho sombras no luar e embalo o silêncio perdido na noite em que o beijo tem a minha boca, o teu rosto e o meu olhar…
sentado na soleira bebo o aroma da terra molhada pelo orvalho de tantas madrugadas… estou cansado. penso no tanto, no tão pouco, no ruído no silêncio e na nudez da esperança que faz nascer o poema.