esperas-me.
toco-te na chegada…
as minhas mãos pousam-te
o olhar quebra o silêncio
e há pureza na nudez.
a noite escreve linhas na
sombra
e é outro dia
ao virar da esquina.
quero-te.
sento-me à beira do nada
e de poema nos lábios
rasgo a carne
na noite escancarada no horizonte
e no silêncio sem nome…
se eu pudesse tocar-te
mostrava-te a infância escondida
e entoaria cânticos de desejo
abafados desde sempre na garganta…
rasgo desfiladeiros
nas arribas dos nossos corpos
mas o meu olhar diz
que a minha partida não será anunciada.