domingo, 24 de maio de 2026

 

inspiro.

dos teus lábios
a brisa traz-me murmúrios
recolhidos nos sonhos perdidos nas madrugadas…

rasgo a aragem
e um beijo fugidio
rompe a aurora indecisa
para além da lua errante…




quinta-feira, 21 de maio de 2026

 

escrevo recados breves
que penduro nos dias
frágeis,
enquanto viajo
por caminhos amarrotados
pelo tempo.

espero sempre
a noite,
a pele,
as estrelas
que olho da janela
onde me debruço a perceber o mundo.

amanhã talvez receba,
da tua boca,
a inocência num beijo cálido
que me diz que o vento
também sopra entre as dunas.




segunda-feira, 18 de maio de 2026

vivo a tua demora perdida no vento.

no silêncio nascem as frases
e olhares que ficam tristes…

desligo a lua,
levanto a manhã onde habito,
e escrevo poemas
à sombra das palavras…





sábado, 16 de maio de 2026

(a vida é traiçoeira. vamos regressando devagar)

escrevo com sangue
a dor perdida
no refúgio dos ventos …

na minha sombra
desenho o poema
feito encontro de silêncios.




domingo, 10 de maio de 2026

 

sigo o rasto que deixas
em mim.
bebo o cheiro do olhar
que deixas nas esquinas
feitas de sorrisos e instantes…

o crepúsculo está algures.

no meu peito
ainda o sabor do quente das palavras.




sexta-feira, 8 de maio de 2026

 

viajo-me nas ondas,
fecho as mãos e agarro o vazio

ao longe
o teu olhar respira o sol.
procuro-me nos sonhos,
escuto-me no delírio do vento
e os meus dedos
escrevem os dias cansados




quarta-feira, 6 de maio de 2026

 

há um orvalho que nasce
a cada madrugada
e um silêncio
que se espalha na noite
alheio ao rumor do vento…

e eu escrevo o poema
com nudez nas palavras