abraço o teu olhar, escuto os teus gestos e perco-me no teu rosto cálido sufragado de brisas primaveris.
bebo o silêncio das manhãs tingidas de orvalho…
perdi-me!
tenho palavras escondidas nos escombros dos meus dias.
talvez amanhã o teu rosto se esconda no meu. hoje é somente a nudez da despedida e eu ignoro o dia. mas o corpo espera que anoiteça. deixa ficar comigo a madrugada…
chego com o vento da madrugada e deixo um beijo nos teus lábios entreabertos… desenho o teu rosto no silêncio da planície e bebo o teu olhar na esquina do meu poema
sopra avesso o vento rasga a poeira e espalha o eco dos murmúrios que gritaste na nossa madrugada. desenho sombras no luar e embalo o silêncio perdido na noite em que o beijo tem a minha boca, o teu rosto e o meu olhar…
pouco a pouco descubro o teu rosto sombreado pelo crepúsculo.
anoitece e há memórias.
um beijo, e o caminhar nu por entre as palavras que dançam entre nós e se escondem atrás das esquinas da cidade