há um orvalho que nasce
a cada madrugada
e um silêncio
que se espalha na noite
alheio ao rumor do vento…
e eu escrevo o poema
com nudez nas palavras
domingo, 15 de fevereiro de 2026
escorrego pelo dorso das casas até cair nos braços de algum poema que tenha ficado pela rua
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
caminho ao longo da rua
estreita. procuro o degrau onde me sento e espero o início das chuvas.
espraio o olhar na espera do dia, e ali mesmo escrevo o meu poema povoado de cometas loucos.
olho a lua e lanço um grito de dor que estava escondido no abismo do silêncio.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
sentado na soleira
bebo o aroma
da terra molhada
pelo orvalho de tantas madrugadas…
estou cansado.
penso no tanto,
no tão pouco,
no ruído
no silêncio
e na nudez
da esperança
que faz nascer
o poema.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
é no amanhecer que roubo
o ruído do orvalho
e o cheiro a terra molhada.
olho o horizonte
e saboreio as estrelas
que encobrem o vento
onde escondi o poema…
é manhã
e eu continuo vivo da noite
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
ontem escrevi-te um poema e tu não viste…
recordo-te!
convido a noite para a minha cama. é a tua ausência…
podia esperar a invisibilidade do corpo e talvez um dia nos tivesse bastado para tu, nua nos meus braços, escolheres palavras onde escondas o silêncio dos lábios.
perco-me no teu retrato…
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
tenho aqui um poema
engasgado nas mãos...
quarta-feira, 14 de agosto de 2024
penso-te
e recolho os aromas com que pincelas o poema que deixei na terra molhada…
voa-me o olhar.
lá longe há cores na madrugada e o meu corpo cola-se ao teu em lençóis de linho vestidos à pressa