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quarta-feira, 6 de maio de 2026

 

há um orvalho que nasce
a cada madrugada
e um silêncio
que se espalha na noite
alheio ao rumor do vento…

e eu escrevo o poema
com nudez nas palavras






domingo, 15 de fevereiro de 2026

escorrego pelo dorso das casas até cair nos braços de algum poema
que tenha ficado pela rua




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026



caminho ao longo da rua
estreita.
procuro
o degrau onde me sento
e espero o início das chuvas.

espraio o olhar
na espera do dia,
e ali mesmo
escrevo o meu poema
povoado de cometas loucos.

olho a lua
e lanço um grito de dor
que estava escondido
no abismo do silêncio.






segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

 

sentado na soleira
bebo o aroma
da terra molhada
pelo orvalho de tantas madrugadas…

estou cansado.

penso no tanto,
no tão pouco,
no ruído
no silêncio
e na nudez
da esperança
que faz nascer
o poema.




sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

 

é no amanhecer que roubo
o ruído do orvalho
e o cheiro a terra molhada.

olho o horizonte
e saboreio as estrelas
que encobrem o vento
onde escondi o poema…

é manhã
e eu continuo vivo da noite



sexta-feira, 28 de novembro de 2025

ontem escrevi-te um poema
e tu não viste…

recordo-te!

convido a noite para a minha cama.
é a tua ausência…

podia esperar a invisibilidade do corpo
e talvez um dia nos tivesse bastado
para tu,
nua nos meus braços,
escolheres palavras
onde escondas o silêncio dos lábios.

perco-me no teu retrato…






quarta-feira, 19 de novembro de 2025

quarta-feira, 14 de agosto de 2024



penso-te

e recolho os aromas
com que pincelas o poema
que deixei na terra molhada…

voa-me o olhar.

lá longe há cores na madrugada
e o meu corpo cola-se ao teu
em lençóis de linho vestidos à pressa

e digo apenas bom dia…