sábado, 24 de agosto de 2024

sexta-feira, 23 de agosto de 2024



nestes últimos dias perdi-me das palavras
e vagueei pelas montanhas queimadas
pela vertigem dos dias.

organizei tudo no meu corpo
debaixo do silêncio…

na penumbra descubro a pele.

o peito aberto
é um lugar de sombra
cercado de ausência. 

é manhã
e eu desço da noite e dos seus sonhos



quarta-feira, 21 de agosto de 2024

 

o café está aberto . entro . à minha volta móveis acorrentados ao pensamento dos que antes de mim tiveram a mesma atitude, entraram . entre a porta e o balcão serpenteia um caminho de luz que a janela suja oferece . todos olharam, mas ninguém me viu entrar …
o espelho diz que é sábado.
pergunto-me porque entrei mas a resposta fica esbatida num café.
concluo apenas que o que não nos mata, torna-nos moribundos.



sábado, 17 de agosto de 2024


habito em mim,
no meu destino
e tudo existe…
 
sou o sonho,
a sombra,
o momento da ausência.

a minha pele espera a madrugada
fria,
a luz escura…

as árvores tornam-se invernos nus
e os poemas recordam o futuro

mas escrevo porque existir não chega...




quarta-feira, 14 de agosto de 2024



trago a maresia dos desejos
em barcos de palavras
que acostei no cais
da tua ausência





penso-te

e recolho os aromas
com que pincelas o poema
que deixei na terra molhada…

voa-me o olhar.

lá longe há cores na madrugada
e o meu corpo cola-se ao teu
em lençóis de linho vestidos à pressa

e digo apenas bom dia…