sentado na soleira bebo o aroma da terra molhada pelo orvalho de tantas madrugadas… estou cansado. penso no tanto, no tão pouco, no ruído no silêncio e na nudez da esperança que faz nascer o poema.
chego com a maresia e solto palavras no alpendre da esperança… fecha-se a noite lanço olhares repletos de ausências sob o céu de carne… um dia vou deitar-me na penumbra de tie tocar-te a pedido da tua pele.
os meus sonhos vagueiam pela cidade enquanto a tua boca desce pelo meu corpo
olho a lua enquanto penso os desejos e os risos que passam ao meu lado de que servem as palavras e as lágrimas nos olhos nublados de tantos amanhãs…
sentei-me tão perto de mim que escutava as palavras faladas em sussurro olhei para a solidão com vontade de gritar mas as palavras correm umas para as outras de braços abertos. estão nuas… amanhã haverá de novo poesiaperdida na madrugada...
é na noite, que os gestos do meu corpo se colam no teu e a minha voz se abandona ao vento… gosto das palavras que fazem amor.
rasgo a pele… solto o ritmo que me prende. guardo o teu nome. uma sílaba apenas… abraço-me. a névoa cerca-me na sombra e a noite contorna-me o rosto… deambulam frases sobre os dias parados e entre o estar e o não estar há um espaço em brancoonde as palavras são tingidas de silêncio
pouco a pouco descubro o teu rosto sombreado pelo crepúsculo.
anoitece e há memórias.
um beijo, e o caminhar nu por entre as palavras que dançam entre nós e se escondem atrás das esquinas da cidade