acordo o silêncio que trago na saudade e desenho no tempo a lágrima que procuro no sal hoje estamos sós e adormecemos no poema.
levanto-me… e a cidade branca tem tempos de angústia largados no nevoeiro. assobia o vento que nos traz a manhã e há um ar sem céu perdido na solidão amanhã escrevo poemas nas sombras que deixaste com a tua ausência
sopra avesso o vento rasga a poeira e espalha o eco dos murmúrios que gritaste na nossa madrugada. desenho sombras no luar e embalo o silêncio perdido na noite em que o beijo tem a minha boca, o teu rosto e o meu olhar…
sentado na soleira bebo o aroma da terra molhada pelo orvalho de tantas madrugadas… estou cansado. penso no tanto, no tão pouco, no ruído no silêncio e na nudez da esperança que faz nascer o poema.
chego com a maresia e solto palavras no alpendre da esperança… fecha-se a noite lanço olhares repletos de ausências sob o céu de carne… um dia vou deitar-me na penumbra de tie tocar-te a pedido da tua pele.
os meus sonhos vagueiam pela cidade enquanto a tua boca desce pelo meu corpo
olho a lua enquanto penso os desejos e os risos que passam ao meu lado de que servem as palavras e as lágrimas nos olhos nublados de tantos amanhãs…
sentei-me tão perto de mim que escutava as palavras faladas em sussurro olhei para a solidão com vontade de gritar mas as palavras correm umas para as outras de braços abertos. estão nuas… amanhã haverá de novo poesiaperdida na madrugada...