segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

 

sentado na soleira
bebo o aroma
da terra molhada
pelo orvalho de tantas madrugadas…

estou cansado.

penso no tanto,
no tão pouco,
no ruído
no silêncio
e na nudez
da esperança
que faz nascer
o poema.




domingo, 11 de janeiro de 2026

chego com a maresia
e solto palavras
no alpendre da esperança…

fecha-se a noite

lanço olhares
repletos de ausências
sob o céu de carne… 

um dia vou deitar-me
na penumbra de ti
e tocar-te a pedido da tua pele.



 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 

os meus sonhos
vagueiam pela cidade
enquanto a tua boca desce pelo meu corpo

olho a lua
enquanto penso
os desejos
e os risos
que passam ao meu lado

de que servem as palavras
e as lágrimas
nos olhos nublados de tantos amanhãs…




quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

sentei-me tão perto de mim
que escutava as palavras
faladas em sussurro

olhei para a solidão
com vontade de gritar

mas as palavras correm
umas para as outras de braços abertos.
estão nuas…

amanhã haverá de novo poesia
perdida na madrugada...






domingo, 4 de janeiro de 2026

 

é na noite,
que os gestos do meu corpo
se colam no teu
e a minha voz se abandona ao vento…

gosto das palavras
que fazem amor.




sábado, 3 de janeiro de 2026

rasgo a pele…
solto o ritmo que me prende.

guardo o teu nome.
uma sílaba apenas…

abraço-me.
a névoa cerca-me na sombra
e a noite contorna-me o rosto…

deambulam frases sobre os dias parados
e entre o estar e o não estar há um espaço em branco
onde as palavras são tingidas de silêncio 




sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

 

pouco a pouco
descubro o teu rosto
sombreado pelo crepúsculo.

anoitece
e há memórias.

um beijo,
e o caminhar nu
por entre as palavras que dançam entre nós
e se escondem atrás das esquinas da cidade