quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

 

acordo o silêncio
que trago na saudade
e desenho no tempo
a lágrima
que procuro
no sal

hoje estamos sós
e adormecemos no poema.




terça-feira, 20 de janeiro de 2026

 

levanto-me…
e a cidade branca
tem tempos de angústia
largados no nevoeiro.

assobia o vento
que nos traz a manhã
e há um ar sem céu perdido
na solidão

amanhã escrevo poemas
nas sombras que deixaste
com a tua ausência






quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

 

sopra avesso o vento

rasga a poeira
e espalha o eco dos murmúrios
que gritaste na nossa madrugada.

desenho sombras no luar
e embalo o silêncio
perdido na noite
em que o beijo
tem a minha boca,
o teu rosto
e o meu olhar…






segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

 

sentado na soleira
bebo o aroma
da terra molhada
pelo orvalho de tantas madrugadas…

estou cansado.

penso no tanto,
no tão pouco,
no ruído
no silêncio
e na nudez
da esperança
que faz nascer
o poema.




domingo, 11 de janeiro de 2026

chego com a maresia
e solto palavras
no alpendre da esperança…

fecha-se a noite

lanço olhares
repletos de ausências
sob o céu de carne… 

um dia vou deitar-me
na penumbra de ti
e tocar-te a pedido da tua pele.



 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 

os meus sonhos
vagueiam pela cidade
enquanto a tua boca desce pelo meu corpo

olho a lua
enquanto penso
os desejos
e os risos
que passam ao meu lado

de que servem as palavras
e as lágrimas
nos olhos nublados de tantos amanhãs…




quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

sentei-me tão perto de mim
que escutava as palavras
faladas em sussurro

olhei para a solidão
com vontade de gritar

mas as palavras correm
umas para as outras de braços abertos.
estão nuas…

amanhã haverá de novo poesia
perdida na madrugada...