domingo, 26 de fevereiro de 2023



é noite lá fora…

habituo os olhos à luz led que debita o candeeiro.
nos dedos a caneta que escreve palavras desconexas
respiro…
a cadência da escrita perde-se na (des)inspiração e no pulsar da sombra que sobra do candeeiro.
o vento assoma à janela
é o inverno a colar-se à pele.

o silêncio vive nas paredes.

arregalo os olhos.
sobram-me sonhos…

de que vale dormirmos juntos se não olhar o teu olhar?



domingo, 1 de janeiro de 2023



hoje deixei que meia dúzia de palavras fossem desfolhadas pelo vento que acompanhava os meus passos matinais...
o silêncio respirou o meu desassossego.

falta-me o teu madrugar ao meu lado…




terça-feira, 20 de dezembro de 2022

o tempo desta manhã foi passando rapidamente.
[não acontece muitas vezes]
mas hoje qualquer coisa fez com que o tempo caminhasse à velocidade da luz…
e logo hoje que eu queria somente observar-te
[não sei se observar se sentir, decidirei mais tarde]
o que sei é que todos os dias guardo cá dentro palavras para te dizer
palavras simples, que vêm de um coração inquieto e que caminham na orla das artérias.
[nada de veias, que essas são somente para o sangue conspurcado]
caiu a noite.
saí.
queria levar-te pelas ruas pouco iluminadas,
mostrar-te o brilho da lua refletido no corpo que deitaste ao meu lado
[o teu corpo]
e o silêncio pesava…

podíamos fazer amor
ali,
aqui,
agora,
amanhã,
espasmos,
orgasmos,
vontade…

tudo tempo,
tudo lugar,
tudo prazer
tudo querer.

e é manhã…




quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

regresso.
em passos soturnos vou desfazendo o caminho…
no ar antevê-se uma névoa que deverá chegar pela noite.
apetecia-me contar uma história.
uma história do tempo em que a chuva se demorava
sobre o contorno dos teus lábios
e eu me cruzava contigo na dureza dos dias.

regresso.
a casa fecha-se.
abraço o cansaço
e escrevo o inverno…





domingo, 4 de dezembro de 2022

 

dou comigo a pensar sobre o acto de escrever…
importa escrever? e o quê? olho a folha em branco e espero que duas frases caiam nela por mero acaso, assim quando chegasses tinha algo novo para te ler [dizer] já que andamos tão parcos em palavras.
mas nem as palavras caem nem tu chegas.
há um silêncio devastador, ruidoso até, que me exaspera…
lá fora a chilreada dos pássaros guarda a entrada da noite.
continuas sem chegar e eu sem ter inspiração.
o cão ocupou o sofá e a televisão debita notícias tristes, alegres, tristes… num carrocel de palavras descontinuadas.
os carros continuam a passar na rua sem parar, sinal que não és tu…
caiu a primeira palavra em azul no papel branco: hoje
pego no telefone.
preciso de saber se vais chegar
cobardemente pouso-o no mesmo local sem ligar.
sento-me no sofá, incomodando o cão que tinha chegado primeiro. fecho os olhos…
continuas a faltar tu.




quinta-feira, 20 de outubro de 2022

anoitece no quarto
pouso o corpo devagar na cama debruada a memórias.
o meu corpo.
preciso adormecer. há sonhos que valem cada segundo
mas antes penso em ti.
serve de prólogo ao sonho e ao mesmo tempo encurto a distância que me separa dos braços de Morfeu.
lá fora a chuva fustiga as vidraças,
cá dentro procuro um abraço.







quarta-feira, 12 de outubro de 2022

 

chegaste à cozinha envolta no lençol de linho branco que é  testemunha da noite que guardamos no quarto
o teu beijo de bom dia espalhou amor por cada canto e recanto do meu corpo que é teu
a tua respiração fixou-se no abraço
demoro-me na tua cintura
estou para além de um qualquer desejo…
quero-te!