sexta-feira, 28 de abril de 2023

história de uma resposta 


leio, releio e as palavras entram-me na pele.
cada lugar é a descida das escadas da estação primeira.
apetece-me fechar a cidade na hora de ponta ou noutra hora qualquer.
assim podia reter-te em Lisboa
passeávamos pelas ruas da feira do livro e de palavra em palavra faríamos o texto que prometemos a nós mesmos.
gostei que gostasses da minha voz no Natal, mas espero que tenhas percebido que tudo o que articulei nessa conversa se traduz numa palavra: saudade
agora sentado na soleira releio outra vez
fazem-me bem as tuas palavras
fazem-me crer no sentir, porque nada cessa...

segunda-feira, 20 de março de 2023

história de um sorriso

às vezes - quase sempre - tenho saudades do teu rosto nas minhas mãos.

no ar um murmúrio lento…

é tarde.
caminho abandonado pela casa
procurando livros de páginas amarrotadas com palavras ditadas pela solidão.
a janela adoça-me o olhar
lá fora há folhas duras recortadas pelo vento
e sons que brindam à errância dos dias.


pudesse eu um sorriso mesmo na distância…



quinta-feira, 16 de março de 2023

 

escrevo-te, não para te dizer não, mas sim para reforçar o sim.
um sim que atravessa os dias…
e tantos dias, tanto querer de desejo feito e imaginado nas noites de dunas brancas pontilhadas de bicos castanhos
conto minutos na soleira que desenhei em palavras trocadas em madrugadas plenas de encontros no verde de serras míticas
e o peito a guardar olhares em falta
amanhã vou escrever o beijo que nos prometemos...



quinta-feira, 2 de março de 2023


sinto a pele arrepiada.
há um frio que entra pelos interstícios da roupa
e me rouba o aconchego da pele…

é inverno,
os dias trazem vento na voz
e chuva no regaço.

procuro a cidade
quero chegar a tempo de um tempo que já findou
agora que a tarde já escorre pelas paredes.

amanhã vou falar com o mar
talvez possa aconchegar um pouco de sol dentro do peito.


esta é a história de um dia de inverno





domingo, 26 de fevereiro de 2023



é noite lá fora…

habituo os olhos à luz led que debita o candeeiro.
nos dedos a caneta que escreve palavras desconexas
respiro…
a cadência da escrita perde-se na (des)inspiração e no pulsar da sombra que sobra do candeeiro.
o vento assoma à janela
é o inverno a colar-se à pele.

o silêncio vive nas paredes.

arregalo os olhos.
sobram-me sonhos…

de que vale dormirmos juntos se não olhar o teu olhar?



domingo, 1 de janeiro de 2023



hoje deixei que meia dúzia de palavras fossem desfolhadas pelo vento que acompanhava os meus passos matinais...
o silêncio respirou o meu desassossego.

falta-me o teu madrugar ao meu lado…




terça-feira, 20 de dezembro de 2022

o tempo desta manhã foi passando rapidamente.
[não acontece muitas vezes]
mas hoje qualquer coisa fez com que o tempo caminhasse à velocidade da luz…
e logo hoje que eu queria somente observar-te
[não sei se observar se sentir, decidirei mais tarde]
o que sei é que todos os dias guardo cá dentro palavras para te dizer
palavras simples, que vêm de um coração inquieto e que caminham na orla das artérias.
[nada de veias, que essas são somente para o sangue conspurcado]
caiu a noite.
saí.
queria levar-te pelas ruas pouco iluminadas,
mostrar-te o brilho da lua refletido no corpo que deitaste ao meu lado
[o teu corpo]
e o silêncio pesava…

podíamos fazer amor
ali,
aqui,
agora,
amanhã,
espasmos,
orgasmos,
vontade…

tudo tempo,
tudo lugar,
tudo prazer
tudo querer.

e é manhã…