segunda-feira, 13 de junho de 2022

 

hoje não cantei parabéns a ti…
também não fazias anos! mas podias fazer.
se fizesses eu cantava, encostava-me a ti e falava [conversava fica melhor, não acham?] contigo, comia uns salgados, bebericava um vinho e entusiasmava-me com o partir do bolo.
mas nada disto aconteceu hoje. talvez amanhã!
liberto destes pensamentos deambulo pelas esquinas feridas pelo vício…
o tempo corre e eu corro nele até que pare...
regresso a casa.
vou fazer café…
queres?

(gosto de nós)



sexta-feira, 10 de junho de 2022

 

acordo com a casa em silêncio e grito bom dia como se alguém me escutasse…
olho-me ao espelho, sento-me na cadeira que serve de cabide à minha roupa e espero que o tempo vá passando.
espreito à janela, a nudez das árvores aconchega-me o olhar e as memórias contam-me sentires de ontem, da semana passada, do mês passado… de anos.
esta noite queria coisas bonitas[boa noite serve]. só quero. eu quero. até poderia dizer só queria mas digo quero-te, porque é mesmo o que eu quero.



segunda-feira, 6 de junho de 2022

saberei eu escrever sobre nós?
roda o disco no prato. a agulha já conheceu melhores dias. mas mesmo assim, Lou Reed em Coney Island Baby continua a ser Lou Reed em Coney Island Baby…
sem lirismos bacocos, mas repleto de lembranças, deixo as mãos fazerem o poema.
e se um dia quiseres partir, deixa-me somente uma pista, que me faça encontrar-te todas as noites.



segunda-feira, 23 de maio de 2022

 

e a náusea é um grito lançado na penumbra dos dias. olho os espelhos trazidos pelas marés que invadem o cais de tanto descontentamento.
há olhares a confiscar o horizonte. não veem.
pela cidade passeia gente que traz nas mãos o medo da morte e nos lábios o desejo de amar depressa…cada um acrescentou-se ao mundo. andam em roda e perderam a memória do espaço comum.

e se amanhã chover, irei escorregar pelo dorso das ruas até o anoitecer me amparar.





sábado, 14 de maio de 2022

são dias frágeis...

olho de soslaio as horas... é ainda demasiada madrugada, o sono tinha ficado longe, perdido numa ausência feita dia.
os filmes da pantalha televisiva roçam a mediocridade...
as notícias lançam anátemas sobre cada um de nós com guerras feitas à medida de loucos comandados à distância.
na ausência salvam-se as palavras espalhadas pelas páginas do nosso contentamento, páginas que nos abrigam, cuidam...
páginas que nos dão colo 
faz-me falta encontrar a presença.
sentir o sentir.

são dias frágeis









quarta-feira, 9 de maio de 2018


procuro a planície onde corri dias e dias de calções e sandálias
lembro-me dos malmequeres amarelos e brancos e do vermelho rubro das papoilas…
hoje tudo são estevas.
o olhar pousa no espaço e um arrepio percorre o corpo…
foi embora uma parte de mim e eu nem tive tempo de lhe dizer adeus.
sento-me. uno as mãos e aconchego-me no cansaço da vida.
as memórias estão ali, perdidas no silêncio…
ali fico a olhar a noite…
talvez o dia amanheça sozinho.




quinta-feira, 1 de março de 2018


Por dentro nunca abandonamos o local onde nascemos.
Mesmo que longe, ouvimos-lhe o pulsar, a voz.
Na pele estão impregnados os cheiros e os sabores. Os caminhos, as calçadas, o largo onde jogámos à bola, o muro onde fazíamos deslizar as caricas apanhadas na venda do sr. Vítor e da menina Felizmina.
E a mata da Pena, qual faroeste, onde índios e cowboys se degladiavam. As setas feitas de varetas de chapéu zumbiam rente aos ouvidos. Os tiros de pistola eram simples bolotas que lançadas com força e precisão encontravam sempre um pouco de carne pelo caminho.
No fim, e para celebrar a paz entre os dois povos, descia-se a mata, sentados nas cascas de eucalipto prontamente arrancadas às árvores… trambolhão que fervia. Mazelas que se ostentavam como medalhas de uma guerra onde era bom e imperioso participar.
E a escola?! A escola… lareira que alimentávamos no Inverno com todo o gosto… Cascas de pinho e era o estalar em plena aula… Vai uma canada para cada um.
- Seus palermas, fazem de propósito, mas eu bem vos trato da saúde, dizia a regente escolar…
Depois eram as miúdas, os bailaricos…
As petiscadas feitas dos assaltos a capoeiras, ou da simples comparticipação com o que havia em casa
Depois foi a vida.
Outros caminhos, outros largos, outras matas, outros índios e outros cowboys…