quinta-feira, 20 de outubro de 2022

anoitece no quarto
pouso o corpo devagar na cama debruada a memórias.
o meu corpo.
preciso adormecer. há sonhos que valem cada segundo
mas antes penso em ti.
serve de prólogo ao sonho e ao mesmo tempo encurto a distância que me separa dos braços de Morfeu.
lá fora a chuva fustiga as vidraças,
cá dentro procuro um abraço.







quarta-feira, 12 de outubro de 2022

 

chegaste à cozinha envolta no lençol de linho branco que é  testemunha da noite que guardamos no quarto
o teu beijo de bom dia espalhou amor por cada canto e recanto do meu corpo que é teu
a tua respiração fixou-se no abraço
demoro-me na tua cintura
estou para além de um qualquer desejo…
quero-te!




segunda-feira, 10 de outubro de 2022


os dias chegam atrasados ao amanhecer.
a culpa é da noite que se demora nos corpos dos amantes…
primeiro na viagem sem sexo, depois com sexo seguida de um arfar da escuridão, para culminar num silêncio de gotículas feito e que escorrem pelos poros acabados de abrir.
ainda bem que é culpa da noite…
os dias chegam muito a tempo.
trazem a luz que ilumina e me deixa ver cada contorno do teu corpo, esse corpo por onde passeei…
trazem a luz que mostra os lábios que me visitaram e me fizeram trepar por todas as constelações.
resta-me sentar na soleira voltada a sul e esperar que também esta noite faça o dia chegar atrasado.



sexta-feira, 7 de outubro de 2022

uma história em 5 frases

gosto de estranhar o teu corpo junto ao meu.
é bom agarrar-te. puxar-te para mim.
os meus dedos despem-te…
quero-te!
e os meus lábios são fechados pela tua boca.





segunda-feira, 19 de setembro de 2022

 

tens os sonhos nas mãos e os pensamentos prontos a ser disparados pela boca
dos teus cabelos solta-se o aroma do amor feito nos lençóis de linho alvo.
olho-te…
a tua nudez é pura como o orvalho da madrugada
e a vontade liberta-se nos muitos poros abertos pela luz do luar.
amanhã vou namorar-te na soleira virada a sul
e dizer-te do olhar que resplandece no dourado do sol.
à noite, quando a penumbra esconder os dias em pontas perdidos no redondel
e as palavras-letras forem açoites que assinalem o poder
vou dizer-te que o amor não tem medida
e ficarei dentro de ti.






sábado, 20 de agosto de 2022

 

peço-te um beijo. depois meto as mãos nos bolsos e aperto os dedos.
aguento a vontade de te abraçar…
fecho os olhos. damos as mãos.
brincamos ao jogo das palavras,
tu dizes a palavra vento e eu espero o embate da brisa.
depois…
depois enfrentamos o anoitecer,
o amor,
a madrugada…

um dia vou pedir-te que vivas comigo
temos tempo para viver de mãos dadas.




sábado, 13 de agosto de 2022



olho os telhados da cidade. a manhã apresentava-se limpa. o mundo continuava a debitar tragédias pesarosas e o homem baloiçava a patetice…
escolhi o dia de hoje para te escrever umas quantas linhas. gosto que sejas com quem partilho os trambolhões e os pódios dos dias. gosto que seja o teu sorriso a saber das coisas vulgares e também das eruditas. gosto que seja o teu olhar a ler as palavras e também os silêncios. é a similitude que nos atravessa e nos faz cúmplices.
hoje é um daqueles dias de nada.
bebo cafés, falho as notícias enfadonhas e procuro o meu tempo…

sabes, faz-me muita falta as tuas mãos coladas às minhas
e o teu beijo guardado no meu céu da boca.
é bom escrever-te.