sábado, 16 de julho de 2022

 

a minha voz procura-te porque
gosto [sempre gostei] da tua beleza sensual e da tua inteligência, da forma como brilha o teu olhar, de conversar, de admirar-te e sentir na pele o arrepio, o desejo de querer-te e de te possuir.
depois…
depois a água quente no corpo e ficar

tenho saudades tuas…



segunda-feira, 11 de julho de 2022

a mala pronta a seguir viagem.  
vou partir sozinho. 
sei que mesmo distante escuto-te a voz. 
na retina os momentos por que passámos. das ruas por onde caminhámos ao anoitecer. 
ao alcance dos corpos o calor, o frio, o sexo...
o dia que termina. 
as luzes acendem-se com o cansaço. 
a despedida. 
a viagem. 
a vida.
a mala está pronta, 
vou partir e tu vais (sempre) comigo...



o tempo foge e nós nem damos por ele...
usamos a ilusão de fabricar a vida: histórias, partilha de sons, gestos, fantasias...
as estações passam e nós inventamos novas palavras e tocamos os dedos às escondidas - o amor - e há poesia
porque poesia também é amor





quarta-feira, 6 de julho de 2022



gosto de saber-te perto, de querer-te perto, de desejar-te perto. 
é bom imaginar-te a caminhar na rua a acariciares a cidade. tudo é tão teu. 
depois do teu caminhar e do meu imaginar-te chegamos juntos à cama e deitamos delicadamente os nossos corpos. 

os dias esquecidos inventa-os a memória 
mas respirar-te é saber-te na proximidade de nós



quinta-feira, 23 de junho de 2022

era uma vez uma parideira.
a parideira foi dando à luz numa avidez desmedida
a prole foi sendo distribuída.
ficou uma.
a que ficou, foi avaliada em 400 euros.
3 anos e um preço que toca a mediocridade dos que permitiram a sua partida para lá de todas as longitudes.
e a parideira chorou.
mas a parideira não era mãe...

(uma história pequena carregada de fel contra quem não soube ser mãe)

segunda-feira, 20 de junho de 2022

 

passei o dia a sonhar-te pelos cantos porque todos os cantos da casa me fazem lembrar de ti.
sonho-te e sinto a tua falta.
espero-te.
tenho para te dizer palavras doces na serenidade do [quem sabe] irremediável.
sei que tenho o coração trespassado por lâminas que já não existem
mas os dias são repletos do sentir a tua falta.
sim. sinto

gosto de subir as tuas escadas



quinta-feira, 16 de junho de 2022

ardem as horas madrugada dentro e as minhas mãos combatem “o silêncio” debitando palavras que serão a história viva dos desencontros doridos dia após dia, mês após mês, ano após ano, que ficaram sempre por acontecer.
o som dos dire straits apazigua o sentir inflamado. you and your friend… nem de propósito.
a vida nem sempre é mais-que-perfeita. por vezes atrapalha…
o gostar é uma coisa assombrosa. um sussurro quase inaudível, até silencioso, uma respiração que percorre o peito.
arregaço as mangas e espero pela primavera, porque a primavera volta sempre...